domingo, 11 de maio de 2014

Sonetos - Florbela Espanca

Oi! Feliz Dia das Mães com #boaleitura e #boapoesia

Pequenina

És pequenina e ris... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te fez tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente...

Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!

Florbela Espanca

Quem acompanha o blog já deve ter lido a poesia que escrevi de Florbela Espanca no dia 25 de abril e quem ainda não leu, se quiser, clique aqui .Fiquei devendo para vocês as minhas impressões sobre todo o livro e chegou o dia de pagar a minha dívida! rs... :)


O livro Sonetos de Florbela Espanca foi publicado pela Editora Martin Claret Ltda em 2002 e esse que comprei baratinho em um sebo, como descrevi no outro post, foi a 1º reimpressão, do ano de 2009. A edição inclui, na verdade, todos os sonetos publicados em quatro obras da poetisa: o Livro de Mágoas (1919), Livro de Soror Saudade (1923); Charneca em Flor (1930) e Reliquiae (1931). E no início do livro tem um texto bem legal contando o Perfil biográfico de Florbela Espanca, no qual pude conhecer a história de vida da escritora e me deparar com as alegrias e tristezas (bem mais dessa segunda opção) de sua trajetória - transmitidas em seus sonetos de maneira forte, marcante. Também me entristeci com a morte de Florbela... 

Angústia

Tortura de pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar!... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu - ó sonho atroz! -
O brilho duma estrela, com o vento!...

E não se apaga, não... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga...
Vem sempre perguntando: "O que te resta?"...

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca

Vou confessar que li esse livro devagar quase parando. As poesias são ótimas, mas bastante carregadas de tristeza. Isso acabava me fazendo ter que parar algumas vezes; para tomar ar, fôlego. Só depois dessas paradas estratégicas conseguia submergir novamente nesse mundo de angústia, dor, amor... Bem, na verdade, quando eu mesma estava mais cabisbaixa a leitura fluía rápido, como se eu estivesse lendo o que minha alma chorava. Ou quando me deparava com momentos do livro em que as poesias enalteciam o amor, aí também era bem fácil de ler.

Minha culpa

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

Florbela Espanca

Os assuntos da Florbela são de um eu lírico de coração mergulhado nas paixões da vida; por vezes completamente enamorado, por vezes desiludido com o amor. A alma atormentada de uma mulher que tenta se encontrar entre a vida tempestuosa e as palavras escritas dão luz aos sonetos mais "à flor da pele" que já li até hoje. Indico tais poesias para aqueles momentos nos quais estamos nós mesmos tentando nos encontrar em meio aos ventos de tristeza que às vezes nos sopram... Ou aos ventos de paixão que às vezes nos dominam...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Palácio do Catete

Oi!
Hoje é dia de fazer um programa cultural pelo Rio de Janeiro...
#boavisita


Esse aí é o Palácio do Catete, que hoje em dia abriga o Museu da República, mas já foi a casa de presidentes e, anteriormente, residência para o Barão de Nova Friburgo. Diante dessas informações, já é possível imaginar que conversas interessantes essas paredes já não ouviram...


A estrutura do palacete é de extremo luxo. Enquanto caminhava pelo museu, fiquei pensando como deveriam ser mais complexas as obras de acabamento da época em que o espaço foi construído, em 1866. Todas as paredes, detalhes nas maçanetas das portas, quadros, lustres, esculturas... Enfim, tudo foi minuciosamente arquitetado e produzido. O Barão que financiou essa obra devia ser um homem detalhista, além de rico, claro.


O ambiente que mais gostei foi, com certeza, o jardim. Sério, podendo caminhar em um jardim desses qualquer um fica mais saudável. Os raios de sol encontram as águas, formando a cor do descanso de uma senhora; os patos nadam calmamente como que sorrindo para as crianças; os bancos te convidam para uma parada momentânea. 
Quem dera um jardim assim na minha casa! :)


Agora, a parte mais interessante, para mim, foi a exposição sobre a história política brasileira. Enquanto ia passando pelos momentos das eleições, ditadura, Diretas já... Nossa, foi ali que percebi o quanto a nossa história nas urnas é tão nova, uma criança ainda, e ainda temos muito o que aprender. Por isso, indico para quem puder, morar ou estiver no Rio: vá visitar esse Palácio. Não dá mais para encontrar a presidência lá dentro porque já se mudou para um local mais afastado e sem linha de metrô na porta (Juscelino era espertinho, provavelmente, e buscou um DF mais vazio). Mas, talvez a exposição e as paredes te revelem conversas importantes - que estão sendo contadas há muitos e muitos anos.



domingo, 4 de maio de 2014

Perfume de Mulher

Oi!
Hoje vou escrever sobre um clássico com Al Pacino e, não, não é O Poderoso Chefão...rs...
#bomfilme


Acredito que esse filme não é novidade para ninguém, a grande maioria já viu e ouviu falar... 
Mas, o considero tão maravilhoso que comprei o DVD e volta e meia revejo cada cena, me empolgando como se fosse a primeira vez...
Trata-se de Perfume de Mulher, filme de Martin Brest que conta com a atuação de um dos meus atores prediletos, o Al Pacino.
Bem, a história é sobre... Bom, não sei como contar sem falar mais do que devia e, então, prefiro resumir bastante: um militar cego e um jovem estudante, ambos passando por momentos difíceis na vida, que se encontram e... Enfim, da história acredito que seja melhor parar por aqui. Até porque a maioria já conhece mesmo. E também não gostaria de estragar a surpresa de ninguém...

Minha ideia de escrever sobre o filme é mesmo, além de indicá-lo, tentar passar um pouco dos meus pensamentos com relação ao longa metragem. Não sou nenhuma crítica de cinema renomada, mas gosto de pensar sobre as histórias que leio, ouço ou assisto. 

Um dos temas abordados no filme é sobre a integridade, o caráter, os princípios de cada um. Assunto político, pessoal, de base. Talvez tão importante e conhecido que não seria necessário abordá-lo em um filme. Talvez já devesse ser tácito em cada um de nós. Talvez. A verdade é que o homem (ou mulher, claro) encontra pela vida uma série de batalhas e situações difíceis pelas quais tem de passar. E, pior, precisa escolher uma atitude a tomar em relação: devo entrar nessa batalha ou me fingir doente?; devo entrar pelo caminho tortuoso e mais fácil ou andar por esse lado mais "certinho" e tão mais complicado de caminhar?; devo dedurar alguns amigos e ir contra meus próprios princípios ou seguir firme com minha intenção leal e correr o risco de me prejudicar por conta disso?? 

Outro tema interessante... e agora percebo que não sei bem como abordá-lo, é quando encontramos a falta de esperança na vida. Sim, não somos perfeitos, nos atrapalhamos, fazemos besteira, nos encontramos de maneira tal que a alma se pergunta: como seguir adiante? E como, como seguir adiante? Como nos perdoar e voltar a encontrar aquela fé em nós mesmos, sabe? Aquela esperança que nos faz achar saídas em um labirinto ou a luz no fim do túnel. Sim, porque sempre existe alguma saída. A criatividade e a virtualidade de opções no mundo estão aí no ar, flutuando. Melhor, estão bem aqui dentro de nós - quietas, esperando que você clique na opção "saída para uma vida melhor", indicada em alguma caixinha mental desse sistema infinito que somos nós mesmos. 

Mas precisamos de esperança, não é? 
Precisamos de esperança para encontrar essa "saída para uma vida melhor" dentro de nós. Esperança para conseguir caminhar pelo lado mais difícil e certinho - não de certo e errado, mas "certinho" no que diz respeito ao lado que não fere a nossa dignidade. Esperança para continuar andando sempre pelo caminho que não fere quem somos verdadeiramente; esperança para viver sem machucar aos outros e nós mesmos diante dessas batalhas tão difíceis que encontramos na vida.

O que ter caráter e princípios dão de encontro com ter esperança e coragem para seguir em frente na vida? Isso é uma pergunta que só um filme tão profundamente sensível como Perfume de Mulher poderia tentar responder com beleza e, o melhor, com tango. E o tango, vou deixar claro, é a parte mais emocionante porque podemos nos atrapalhar, mas continuar dançando ao som da paixão esperançosa que guia nossos passos. Super indico: bom filme! :)